Postado em 28 junho 2021

A publicidade e a comunidade LGBTQIA+

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O mês de junho é marcado pela luta e resistência da comunidade LGBTQIA+ e também por várias peças publicitárias que, além de se posicionarem a favor do movimento, querem alcançar esse público e torná-lo consumidor das mais diversas marcas.

No dia 28 de junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, porém a comemoração se estende por todo o mês. Na madrugada desse dia, no ano de 1969, no Greenwich Village (Nova York), o Stonewall Inn, famoso bar gay, foi invadido por policiais, que prenderam os funcionários por venderem bebidas sem licença, agredindo os que mostravam resistência.

 A população já farta se manifestou espontaneamente contra os policiais durante uma semana. O acontecimento ficou conhecido por revolta de Stonewall e foi responsável pelo nascimento do movimento dos direitos LGBT+.

#TBT publicidades LGBT+

As campanhas publicitárias com representatividade da comunidade LGBT+ tem ganhado cada vez mais força, mas não é de hoje que empresas usam, mesmo que timidamente, pessoas diversas.

Em 1981, a marca de vodca Absolut desenvolveu anúncios dedicados ao público, porém só circularam em revistas voltadas para homens gays. Já a rede de móveis Ikea mostrou em 1994 um casal homoafetivo comprando mesa de jantar. A peça publicitária só foi exibida duas vezes e precisou ser retirada do ar após ameaças de bombas contra as lojas da empresa.

Mais recentemente O Boticário precisou lidar com a repercussão de uma campanha de dia dos namorados estrelada por casais hetero e homossexuais, em 2015. O CONAR (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária) recebeu na época mais de trinta reclamações, a maioria questionando a moralidade da propaganda.

 A PL504

Um projeto de lei, iniciado em 2020, associava a comunidade LGBT+ a “práticas danosas” e pretendia proibir a vinculação de peças publicitárias com representação de casais homoafetivo e composições de famílias plurais.

Automaticamente à sua divulgação, o projeto gerou revolta e manifestações de repúdio ao que seria uma tentativa de apagamento de representatividade da comunidade. Entre as empresas que se manifestaram contra estão Coca-Cola, Mastercard, Natura, Uber, Accor, Ambev e Bradesco.

O PL foi derrubado pela ALESP e removido da pauta de votação, sem prazo para voltar ao plenário.

A comunidade LGBT+ e as marcas

Em 2018 a AVON firmou parceria com a ONU para combater a LGBTfobia. A marca elencou recomendações contra a discriminação em locais de trabalho, mercados de fornecedores e comunidades onde vivem funcionários, clientes e parceiros. Foi também pioneira em colocar uma mulher transexual em campanha de TV aberta, a cantora Candy Mel, além de ter parcerias com vários nomes da comunidade LGBT.

O Burguer King, em sua campanha que marca o quarto ano em parceria com a Parada do Orgulho LGBT, espalhou pela Avenida Paulista e outros pontos de São Paulo, fotos de 20 colaboradores, representando os mais de 2.700 da empresa que se declararam LGBT+.

Para esse ano a varejista Amaro, que já chegou a perder 15 mil seguidores no Instagram após uma postagem com casais homossexuais, resolveu transformar esse número em R$ 15 mil em doação para a Casa Florescer, centro de acolhimento para mulheres transexuais e travestis.

Além disso, lançou a campanha “Transformando intolerância em amor”, com venda de duas camisetas que terão lucro 100% revertido para a Casa ao longo do ano, e não somente durante o mês de junho.

É importante que as marcas tenham visão que esses consumidores constroem mais quando se sentem representados. E essa representação deve incluir, inclusive, todas as diversidades que essa sigla engloba.

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